Apoio às Famílias
A família possui um ciclo vital constituído por momentos particulares que apresentam certa regularidade (casamento, nascimento dos filhos, abandono do lar pelos filhos, construção de uma nova relação...) e que tem repercussão em suas regras, estruturas e limites. O filho, em geral, corresponde ao idealizado, sonhado, projetado.
A criança que nasce com deficiência representa o desconhecido, o inesperado, o indesejado. Os pais se deparam com uma nova realidade que os obriga a reestruturar o seu projeto de vida, pois a ideologia e os valores familiares são momentaneamente confrontados.
Frente ao nascimento de uma criança com deficiência verificam-se características familiares comuns no processo de enfrentamento. O primeiro momento é caracterizado pela surpresa, negação e incredulidade. É preciso lidar com o medo, sofrimento, as incertezas e muitas vezes com o preconceito da desinformação.
Após o impacto inicial, segue-se um período de desorganização emocional com sentimentos de culpa, raiva, vergonha, diminuição da autoestima, rejeição ou superproteção ao filho. Neste período, a família percebe que a situação é real e que a deficiência pode ser definitiva e progressiva.
Finalmente, acredita-se que alguns pais cheguem a uma terceira etapa que é a da aceitação do filho por meio de uma nova organização, que pode ser das mais diversas formas: desorganização, ruptura, reorganização, reunião e fortalecimento dos vínculos familiares.
Em alguns casos, o “luto” pelo filho ideal não é superado pelos familiares e o grau de expectativa com relação ao desenvolvimento continua em discrepância com a condição real do mesmo.
Diante disso, não se pode pensar em uma proposta pedagógica sem levar em conta a necessidade de uma pedagogia familiar que, sempre que necessário, auxilie a família a resignificar suas expectativas e desejos, sendo esta uma condição essencial para a melhoria da qualidade de vida do educando rumo à conquista de sua autonomia e independência.
Aceitar para poder ajudar
Para poderem colaborar no processo de ensino e aprendizagem de seus filhos os pais precisam ter noções reais das capacidades - física, social, psicológica, educacional e intelectual - da criança. Precisam informar-se a respeito dos programas de educação ou reabilitação recomendados para seu filho; ter estímulo para assumir um papel ativo em sua educação e acesso a meios que lhes permitam avaliar a eficácia do programa em cada fase de sua aplicação.
Nem sempre os pais estão preparados para enfrentar sozinhos todas as dificuldades e novidades que se apresentam. Provém daí a necessidade de apoio, de um espaço de escuta, onde os pais consigam entender, assimilar e superar os obstáculos.
Na Escola de Educação Especial Ecumênica aos pais recebem atendimentos específicos nas áreas de psicologia, serviço social e pedagogia. Além de oferecerem suporte psicológico aos pais, esses atendimentos procuram dar condições sociais e econômicas, para que os pais colaborem no processo de desenvolvimento de seus filhos.
A Escola também promove, com frequência, reuniões entre os pais e os profissionais que atendem os alunos para que se estabeleça um vinculo positivo da família com a escola. Além disso, atividades reunindo as famílias dos alunos são realizadas no intuito de que os pais compartilhem suas histórias de vida e juntos unam forças para seguir adiante com autoestima renovada e melhores perspectivas de vida.
Outro segmento importante da Escola é a Associação de Pais e Profissionais da Escola Ecumênica (APP/EE). Esta tem por finalidade promover a integração entre a escola e a família e incentivar a responsabilidade de pais e mães, tornando-os co-autores do processo de ensino e aprendizagem. |